quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Márcio Catunda


Estigma

Por mais que te desdobres em controles,inspeções, suspeitas, ameaças, espionagens,não poderás apagar o estigma.Por mais que exerças arbítrio sobre os excluidos,submetidos, algemados,não poderás apagar o estigma.Por mais que argumentes com estratégias,calcomanias, supremacias, invulnerabilidades,agressões, transgressões e desvarios,não poderás apagar o estigma.Por mais que espanques, abuses, violentes, esfoles,que apliques choques elétricos,que arranques unhas e olhos,que globalizes a intolerância e a hemorragia,não poderás apagar o estigma.Por mais que proliferes feras, pragas, dragões,por mais que multipliques espadas de fogo,tentáculos, abominações, garras de fúria e mentirasnunca poderás apagar o estigma.


domingo, 8 de novembro de 2009

A morte e o grão




O HOMEM E A MORTE
Manuel Bandeira
O homem já estava deitado
Dentro da noite sem cor.
Ia adormecendo, e nisto
À porta um golpe soou.
Não era pancada forte.
Contudo, ele se assustou,
Pois nela uma qualquer coisa
De pressago adivinhou.
Levantou-se e junto à porta
- Quem bate? Ele perguntou.
- Sou eu, alguém lhe responde.
- Eu quem? Torna.
– A Morte sou.Um vulto que bem sabia
Pela mente lhe passou:
Esqueleto armado de foice
Que a mãe lhe um dia levou.
Guardou-se de abrir a porta,
Antes ao leito voltou,
E nele os membros gelados
Cobriu, hirto de pavor.
Mas a porta, manso, manso,
Se foi abrindo e deixou
Ver – uma mulher ou anjo?
Figura toda banhadaDe suave luz interior.
A luz de quem nesta vida
Tudo viu, tudo perdoou.
Olhar inefável como
De quem ao peito o criou.
Sorriso igual ao da amada
Que amara com mais amor.
- Tu és a Morte? Pergunta.
E o Anjo torna: -
A Morte sou!
Venho trazer-te descanso
Do viver que te humilhou.
-Imaginava-te feia,
Pensava em ti com terror...
És mesmo a Morte?
Ele insiste.
- Sim, torna o Anjo, a Morte sou,
Mestra que jamais engana,
A tua amiga melhor.
E o Anjo foi-se aproximando,
A fronte do homem tocou,
Com infinita doçura
As magras mãos lhe cerrou...
Era o carinho inefáve
lDe quem ao peito o criou.
Era a doçura da amada
Que amara com mais amor

domingo, 11 de outubro de 2009

À poesia....




















Se não fosse a poesia não estaria aqui sentado agora
catando coisas no meu computador pra mostrar aqui pra voces.


na foto: o abade e maestro Kim Ribeiro, eu, Lulú no meu colo, minha afilhada mais nova, Xanxão o pai da Luíza e Lucas filho do João, foto de reunião do Mosteiro do Som, na floresta.

Pra um domingo sem sol!


Crepon


Pintura com crepon
de 1984
(Pintei este quadro naqueles dias do Tancredo no hospital)

outros desenhos....


Foto Eliane Gomes

E....


Não tenha nada nas mãos
Nem uma memória na alma
.

Uma ode de Ricardo Reis
Fernando Pessoa
imagem:
ópera Zaíra, montagem de Walter Neiva no Teatro Central de Juiz de Fora,
fiz os cenários, em julho de 2004